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Populus meu cão

October 4, 2009 | 2 Comentários | Publicado em Polí­tica

Populus meu cãoEm 1970, a ditadura militar passava por uma de suas fases mais dura. Perseguindo, sequestrando e matando opositores do seu regime aqui no Brasil. Mas o presidente era popular. O general que comandava o país, escolhido presidente por seus pares, Emílio Garrastazu Médici, ia ao Maracanã e era ovacionado pelo público presente. O futebol de Pelé, Gérson, Jairzinho, Rivelino, Carlos Alberto e outros campeões do mundo era o panis et circenses da época.


Populus meu cão
o escravo indiferente que trabalha
e por presente tem migalhas
sobre o chão
populus populus populus meu cão
populus meu cão populus meu cão

A esquerda, composta por intelectuais, estudantes e trabalhadores que viam no socialismo a solução, e por outros, que eram contra a ditadura porque só queriam justiça, liberdade e democracia, percebiam o ópio que se dava ao povo para que a sangrenta ditadura e o sequestro de direitos civis, com pobreza, fome e atraso social não fizessem parte das prioridades do povo. Futebol + estádios de futebol = povo quieto e feliz + políticos corruptos que se locupletavam apoiando a ditadura.

Primeiro foi seu pai segundo seu irmão
terceiro agora é ele agora é ele agora é ele
de geração em geração em geração
No congresso do medo internacional
houvi o segredo do enredo final
sobre populus meu cão
sobre populus meu cão

Hoje irmanados, alguns dos que vergonhosamente encobriam e defendiam politicamente os ditadores, com os outros, que protestavam e eram perseguidos, abusam de nossa condição econômica junto das principais nações do mundo, construção que teve pedra fundamental lançada na eliminação da inflação no final da década passada, para nos dar novamente panis et circenses antes de nos levar ao nível dos nossos novos parceiros globais de primeiro mundo em: educação, saúde, segurança pública e cidadania.

Documento oficial
em testamento especial
sobre a morte sem razão
de populus meu cão
populus de populus de populus
populus populus populus meu cão

Passados quase 4 décadas, as práticas políticas ainda são as mesmas, pena que o Rio de Janeiro não continuou o mesmo nesse período. Mudou muito, e para pior. Até quando seremos tratados como cães que abanam o rabo para os donos do momento? Comendo as migalhas jogadas com sorrisos nos rostos? O consolo é que somos brasileiros e não desistimos nunca (?). Certamente (espero não estar enganado), um dia teremos educação, saúde, segurança, cidadania, pão e circo, mas tudo junto. Tomara que isso aconteça em sete anos pelo preço que estão nos cobrando hoje.

* No player, o ex-sumido Belchior, a quem peço licença para recordar a música Populus.

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2 comentários to “Populus meu cão”

  1. Mario Celso de Moraes says:

    Po, meu, comentário muito sóbrio, desprovido de partidarismos e conceituado pelo bom discernimento.

    Sou obrigado a colocar essa página em meus favoritos e a freqüentá-la regularmente.

    Essa é a beleza da rede, entende? Talentos e mais talentos que produzem pensamentos que devemos repartir e espalhar por ai.

    Fica aqui o meu abraço e minha admiração.

    • Olá Mario!

      Seja muito bem vindo.

      Muito obrigado. Fico muito feliz de voc? ter gostado do texto e do Pô, meu!

      Volte sempre, dê seus palpites também, essa é a ideia.

      Abraços e sucesso,
      Nelson

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