Top top procês ó…

Fradinho BaiximHenfil, ou Henrique de Souza Filho, era um modelo clássico de carioca, apesar de ser mineiro (Ribeirão Pires) de nascença. Cartunista que passava várias emoções, apesar de seu estilo de poucas linhas. Procure a Graúna e suas diversas emoções e estados desenhados com quase nada, para entender o que estou falando (aqui).

Foi pai dos personagens caricaturais do futebol carioca como o Bacalhau, Pó de Arroz, Urubu, Cri-cri e outros, publicados por muitos anos no antigo Jornal dos Sports. Outro clássico foi o trio Zeferino, Bode Orelana e a Graúna. Na família de personages havia também o Fradinho Comprido e seu parceiro tarado Baixim, e também o Ubaldo e o Caboco Mamadô. Foi o Henfil que sintetizou e sanitizou o palavrão dos estádios de futebol, para a publicação no Pasquim e nas tirinhas do Jornal dos Sports: pô (porra), putisgrila (puta que pariu), tutaméia (puta merda), etc.

Henfil escreveu também vários livros e trabalhou intensamente com TV, teatro e cinema. Infelizmente, ele era hemofílico, como seus irmãos Betinho e Chico Mário. Morreu (morreram os três) muito cedo por conta da AIDS adquirida nas transfusões de sangue que tinha que se submeter.

Assim como muitos brasileiros, Henfil foi um guerreiro na luta pela liberdade e democracia usando contra a ditadura militar suas mais poderosas armas: o desenho e a palavra, principalmente com Zeferino, a Graúna e o Bode Orelana. Não sei se o Henfil, se ainda fosse vivo (teria 63 anos hoje) defenderia o uso descarado da marca registrada do seu personagem Fradinho Baixim, o top-top, pelo assessor especial da presidência da república.

Na imagem e lembrança que guardei do grande Henfil, com quem compactuei idéias e aprendi o prazer e o gosto pela liberdade e democracia, acho que ele, diferentemente de outros como Chico Buarque e LF Veríssimo, não defenderia esses caras que estão aí, no poder, só porque eles um dia, foram oposição, como nós.

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1 Comentário

  • Dayse Corrêa disse:

    Brother, outra indignação e revolta. Pelo menos hoje não preciso ficar irada por não poder fazer o gesto em público em um momento de raiva, apenas digo: um Marco Aurélio para você! ;-)

    Comentário do Pô, meu!
    Marco Aurélio? O que é isso? É de comer?
    ;-)
    bjs

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