Haverá limite para a Internet?

Gutenberg e a InternetHoje o Estadão publicou um artigo de opinião do jornalista Washington Novaes, cujo título é: Haverá limite para a internet? Como não havia espaço no site para comentários, fiz essa carta aberta ao Sr. Novaes. A matéria está online no Estadão.com.br aqui.

Caro jornalista Washington Novaes, é claro que haverá limite para a Internet! Tem sido assim com todas as ferramentas tecnológicas criadas pelo ser humano ao longo de sua história nesse planeta. Umas demoram mais, como a contribuição do alemão Johannes Gutenberg para a impressão de tinta sobre papel, talvez o maior alavancador tecnológico para o que é conhecido, até os dias atuais, como imprensa. Já se vão quase 600 anos de muito lixo tecnológico que o planeta nunca havia experimentado antes. Lixo mecânico representado por peças metálicas e de plástico. Produtos tóxicos que são usados na composição de tintas sendo decompostos e se infiltrando na natureza. Árvores, milhões, quem sabe algumas centenas de bilhões foram arrancadas para alimentar o que certamente (aposto nisso) foi um divisor de águas no desenvolvimento humano: a imprensa e a impressão.

Se não fosse a imprensa e a impressão da tinta no papel com a facilidade da invenção do Gutenberg, o conhecimento não teria sido tão difundido nesses últimos 600 anos. Alguns escolhidos teriam uma fração ínfima do conhecimento que temos hoje e o resto da humanidade viveria ainda na Idade Média. Não fosse o salto que nos ofereceu Gutenberg, não teríamos na virada do século XX para o XXI a ferramenta Internet. Que durará, como tecnologia, muito menos que a tipografia. Todavia, o mais importante não é a tecnologia, que é só a ferramenta usada na definitiva ação humana para distribuir conhecimento, mas sim o fim desse uso: o acesso pleno ao conhecimento. O acesso pleno de idéias e opiniões. Tem lixo? Muito. Mas e daí? Se pararmos para analisar o lixo que foi criado com a imprensa e a evolução que ela proporcionou, de que lado o senhor ficaria?

Só para encerrar e não me alongar muito, a globalização provocou um salto de desenvolvimento econômico no mundo e, naturalmente, o acúmulo de riqueza por alguns grupos. Imagine o senhor o quanto esse dinheiro todo poderia comprar de canais de informação e mídia. Ainda bem que existe a socialização da informação e do acesso. Pois o que foi a redenção e o catalizador do grande salto da humanidade (a imprensa e a impressão) poderia se transformar em faculdade de poucos, que teriam condições de manipular tudo e a todos. Que a Internet não tenha limites para ser o meio que crianças do terceiro mundo acessem, a baixo custo, o que só as do primeiro mundo poderiam pagar. E que o seu término, seja para dar lugar a uma tecnologia que continue sua função, de forma mais barata, mais distribuída, mais limpa e cada vez mais longe da garra do poder.

Grande abraço,
Nelson Corrêa
(Blogueiro, leitor ávido e metido a dar opinião em tudo)

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6 Comments

  • Nelson

    Li seu texto.
    Meu artigo não entrou – propositadamente – na discussão sobre vantagens da
    internet. É evidente que há, e muitas.Neste momento mesmo, ao enviar-lhe uma
    mensagem em resposta à sua, estou usufruindo de uma delas.
    O problema incontornável está nos limites para a atividade humana. Já temos
    dois, inarredáveis – mudanças climáticas e insustentabilidade dos padrões de
    produção e consumo.Pode ser que o consumo de energia e/ou a geração de
    emissões poluentes pela internet se incluam nos limites; pode ser também que
    haja limite para a circulação/armazenamento de informações. Entre outros
    problemas citados.
    É preciso colocar o tema em discussão.
    Cordialmente,
    Washington Novaes

  • Caro Sr. Novaes,

    Obrigado pela sua resposta e obrigado pela autorização para publicá-la aqui no Pô, meu!

    Continuando, e sem querer discutir que poderiam haver poluidores mais
    nocivos e menos úteis à humanidade do que a tecnologia da Internet, acho
    que a Internet pode reduzir muito os níveis de poluição que temos hoje.

    Imagine o senhor, que está cada vez mais fácil e com mais qualidade
    fazer reuniões através de vídeo conferência. Quantos executivos,
    consultores e demais profissionais deixarão de usar o transporte aéreo
    para estar presente em reuniões? Quanto economizaremos de combustível e
    da queima do mesmo com as pessoas viajando menos. Hoje, mais da metade
    dos viajantes aéreos no Brasil viajam por motivos profissionais.

    Enfim, o melhor da conectividade global e do acesso irrestrito é que um
    tema como esse, poderá ser discutido profundamente por todos. É um tema
    de discussão palpitante, e tenho certeza, não encerraremos esse assunto
    com meia dúzia de linhas, mas lhe agradeço o pouquinho que conversamos.

    Grande abraço,
    Nelson Corrêa

  • Nelson

    Quanto ao mais, como disse nessa resposta, há muito a discutir – entre
    outras coisas, a necessidade de reduzir o nível global de emissões e o papel
    da informática e da Internet nisso(como o de qualquer setor).

  • Carol Costa disse:

    Puxa, mas a caixa de comentários está tão boa quanto o post!

    Comentário do Pô, meu!
    Ô Carol,
    Pode acreditar, os comentários aqui sãosempre melhores que os posts. E a tendência é cada vez ficarem melhores. ;-)
    Abraços e sucesso,
    Nelson

  • Carol Costa disse:

    Melhores, não, que você escreve bem demais para uma caixa de comentários se igualar. Tão bom quanto.
    ;-)

    Comentário do Pô, meu!
    Opsss, envergonhado agora fiquei eu.
    Obrigado.
    Abraços,
    Nelson

  • É realmente um assunto vasto, e que merece ser bem debatido. Mas o que eu quero é fazer um parêntese ao debate e parabenizar o jornalista Washington Novaes por gastar um pouco de seu tempo para escrever uma resposta ao texto do Nelson. Não estou falando da ridícula briga entre blogueiros e jornalistas, não dou a mínima a ela. O assunto, ao meu ver, é outro. Infelizmente, ainda temos muitos colunistas que parecem não dar qualquer importância aos seus leitores, como se estes fossem algo desnecessário. O fato de o jornalista aceitar a conversa mostra que ele se diferencia desta massa, e merece um respeito ainda maior do que o que já merecia pela qualidade de seus textos.


    Comentário do Pô, meu!
    Enio,
    Foi de extrema gentileza as respostas do Washington Novaes. Aliás, acho uma grande bobagem ficar tentando criar uma briga onde não há. Tem muita gente que tenta complementar a falta de qualidade fazendo barulho. E nada mais. Os grandes jornalistas, como o sr. Novaes continuarão fazendo a pauta de muitos blogueiros, aí incluso o nosso Pô, meu! ;-)
    Abração,
    Nelson

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