// você está lendo...

Cotidiano

A gente não quer só ganhar

Apesar de ter deixado de torcer e acompanhar futebol profissional desde o título nacional do Vasco em 2000, abro exceções eventualmente. E a Copa do Mundo é uma delas. É bem verdade que a paixão do Felipão comandando o time de Portugal com aquela camisa vinho (grená?) mexe muito mais comigo do que o time amarelão do Parreira.

E o Parreira, aquele que detesta futebol, fica lulalizando que a história só se lembra dos campeões e ninguém fala dos times que encantam, mas que não ganharam. Mais uma lulice. Eu não vi jogar, mas sei de ouvir os mais velhos que eu falarem no time da Hungria na Copa de 1954. Aliás, meu primeiro contato com esse time, foi em um torneio de pelada de futebol de salão. Eu deveria ter no máximo dez ou doze anos, e o time do meu pai nesse torneio chama-se “Hungria 54″. E foi campeão. Do torneio de Pelada, é claro.

Depois pude ver a Holanda em 1974, aquele time todo de cor laranja, em todas as partes do campo, um carrossel, uma pelada perfeita, subvertendo todas as regras de posicionamento em campo. E o Brasil de 1982? Que encanto! O mundo inteiro babando com Falcão, Zico, Sócrates e outros. É bem verdade que aquele time tinha Serginho Chulapa titular e Roberto Dinamite no banco, mas mestre Telê não era a exceção à regra que nossos treinadores precisam ser teimosos. Qualquer boleiro, de qualquer idade, sabe falar de pelo menos um desses times fantásticos que não levantaram a taça.

Ler comentarista de futebol, na maioria das vezes é como consumir junk food. Mas a história dos escritores de futebol nos deu Nelson Rodrigues, Sandro Moreira, João Saldanha, Armando Nogueira e outros que são oásis de inteligência e qualidade nesse mundo de escritores sobre futebol. Atualmente, o compositor Nando Reis é um desses gratos prazeres que ainda encontro no nosso futebol extremamente amador.

Na quinta-feira passada, Nando Reis, na sua coluna semanal no Estadão, resumiu o que talvez esteja na cabeça e no peito da maioria dos brasileiros depois de ver um time contra Croácia, Austrália e Gana e outro contra o pobre Japão: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Versos da música Comida, composição de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sergio Brito, consagrada na gravação da banda Titãs em 1987 (letra completa aqui).

Talvez porque a gente saiba, que o único campeão mundial medíocre, e ninguém esquecerá, foi aquele que protagonizou a única final sem gols de toda a história de Copas do Mundo, em 1994. Fora isso, para ser campeão, ou joga em casa ou joga bonito.

Você gostaria de receber as atualizações do Pô, meu! por e-mail? Clique aqui.
  • Share/Bookmark

Opiniões

Ninguém comentou ainda.

Faça um comentário

(*) Campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado. Web site e nome no Twitter não são obrigatórios.

Clique para receber o feed do Pô, meu!

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons 3.0.

Para receber as atualizações do Pô, meu! na sua caixa postal, digite seu endereço de e-mail no campo abaixo e clique em enviar

ARTIGOS RELACIONADOS

    Paralelos e devaneios culinários em agosto 15, 2010 (8 comentários)
    Preparar uma comida se assemelha, com menor grandiosidade, é claro, a despi ...

    Estava em Marte ou não gosta de futebol em agosto 12, 2010 (7 comentários)
    Depois da exibição de Neymar e Ganso no amistoso contra os Estados Unidos, ...

    Foi bonita a festa pá em agosto 23, 2009 (4 comentários)
    Eu já torci muito pelo Vasco da Gama. Quando garoto, uma vez chorei, litera ...

    Futebol, último prazer em julho 16, 2007 (1 comentários)
    Nasci vascaíno por tradição familiar. Era uma casa portuguesa com certeza. ...

    Ouvir & Ler 17 em fevereiro 14, 2007 (2 comentários)
    "A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela / a g ...

Clique para acompanhar o Pô, meu no Twitter!

Últimos tuítes