Te chamam de ladrão, veado e maconheiro
O Brasil mudou muito desde o golpe militar de 1964 até os dias de hoje. Aquela época foi o auge da guerra fria, da disputa entre capitalismo e comunismo e do tÃtulo de quem conseguiria ser o paÃs mais imperialista do planeta: EUA x URSS. Não houve mocinhos nessa história, ambos eram bad boys e jogavam muito sujo.
Aqui neste paÃs tropical, rótulos e palavras de ordem alimentavam o sonho por um mundo melhor. Estudantes, intelectuais e trabalhadores, de várias maneiras diferentes, e ao seu modo, lutaram contra a ditadura. Houve os que jogaram pedras. Houve os que atiraram palavras. Mas houve os que foram à luta, mataram, mas morreram mais.
Liberdade! Democracia! Soberania! Igualdade!
Rótulos. Rótulos. Rótulos.
Nós ainda estamos crescendo como paÃs. Resgatando aos poucos alguns bens que nos foram tomados nessa época, como a bandeira e o hino. Nos surpreendemos (eu pelo menos!) ao ver estudantes de 2008 recebendo verba federal e achando que tudo está bom e resolvido. Não são mais contra nada, e seguem em frente sem vergonha de esconder a “chapa branca”.
Surpresa? Qual nada, é pouco. E o guerrilheiro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), sequestrador do embaixador americano no Brasil em 1969, contra-revolucionário que lutou pelos ideais do povo, trabalhadores e estudantes durante os primeiros anos da ditadura que agora é amplamente rejeitado pelos mais pobres e desfavorecidos da cidade do Rio de Janeiro?
Parece piada, mas não é. Vejam alguns dados da pesquisa de 17/18 de setembro do Data Folha para a prefeitura do Rio de Janeiro

Renda até 2 Salários MÃnimos:
Paes 30%
Crivella 22%
Jandira 9%
Gabeira 2%
Renda maior que 10 Salários MÃnimos:
Gabeira 31%
Paes 21%
Jandira 15%
Crivella 7%
Eleitores só com Ensino Fundamental:
Paes 27%
Crivella 25%
Jandira 9%
Gabeira 4%
Eleitores com Ensino Superior:
Gabeira 25%
Paes 23%
Jandira 17%
Crivella 6%
Apesar de não votar no Rio – meu tÃtulo de eleitor ainda ficou em Sampa – eu acho que o Rio precisa agora é de um prefeito como o Gabeira. Mas Gabeira, pelo que mostram os números do Data Folha, é o candidato “das Elites”. Ainda há tempo de provar o contrário. Eu quero voltar a sentir tesão pelo Rio.
P.S.1) “É como aquela música do Cazuza: ‘Te chamam de ladrão, veado e maconheiro para roubar mais dinheiro”.
- Fernando Gabeira, deputado, em resposta a Severino Cavalcanti, que renunciou após denúncia de cobrança de propina, em setembro de 2005
- Fonte: Revista Isto É Gente! de 26/12/2005
P.S.2) “Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro. Transformam o paÃs inteiro num puteiro. Pois assim se ganha mais dinheiro”
- Cazuza em “O tempo não pára“.

Opa Nelson!
Parabéns pelo teu texto, infelizment o debate polÃtico anda bem ausente da nossa blogosfera
Sobre o Gabeira especificamente, há um erro básico neste debate, no meu modo de ver, claro!
Eleições para cargos executivos não deveriam se prender apenas ao nome do candidato, se só o nome fosse suficiente, escolherÃamos o novo prefeito de quadros das Unversidades!
Não bsta ser uma pessoa capaz, com boas idéias e capacidade de aglutinar pessoas honestas e trabalhadoras! É preciso ver a capacidade e os quadros que esta pessoa tem para implementar sua visão adminstrativa/polÃtica!
Neste aspecto, a candidatura Gabeira (não o Gabeira!) não se sustenta para viabilizar as mudanças necessárias! Faltar-lhe-ia quadros! Simples assim!
Portanto, acho que a qestão é bem mais complexa, ainda que suas observações sobre o pleito sejam bem valiosas!
Infelizmente falta um pouco de grandeza e espÃrito público daqueles que poderiam, juntos, mudar a cidade do Rio de Janeiro! 4 candidaturas (á esquerda) poderiam/deveriam se aglutinar em um única e com um projeto de consenso! Mas como disse, falta grandeza e espÃrito público para estes e seus quadros polÃticos! Uma pena pro Rio e para os seus cidadãos!
abraços
Comentário do Pô, meu!
Grande Prof. Sergio!
Muito bom te receber por aqui.
Concordo com você sobre a ausência do debate polÃtico na umbigosfera, também conhecida como blogosfera. Parece até um assunto tabu.
Agora, eu acho que se um gari precisa de ensino médio para se candidatar ao emprego, porque um chefe de poder executivo, seja municipal, estadual ou federal não deveria ter uma sólida formação para conduzir uma população por alguns anos?
Veja que nenhum candidato nos apresenta seu grupo de trabalho antes da eleição. Então devemos confiar no passado e na capacidade de cada um deles. Infelizmente, poucos se preocupam com isso.
Por último, a eleição em dois turnos é feita para que cada um escolha a sua melhor opção e no segundo turno, se houver, utilize o voto útil.
Falando em quadros, na sua opinião quem tem o melhor quadro para promover as mudanças que o Rio necessita com urgência. Sabe, estou fora do Rio há muitos anos e talvez com a visão do todo um pouco prejudicada.
Obrigado pela visita e comentário.
A casa é sua. Volte sempre que quiser.
Abraços e sucesso,
Nelson
Geek
Tava cheia de comentário, mas o professor Sergio deu um show. Vou falar besteira né?
Bom pra ficar diferente, a foto que vc colocou, da passeata dos 100 mil é de um amigo meu, Evandro Teixeira. Ele é um mago das lentes. Uma pessoa Ãmpar. É do JB. Quando estiver no Rio podemos marcar com ele. E aà vc ouvirá outras tantas histórias dele.
texto irretocável. Moro em SP mas ainda voto em BH. Lá, PSDB e PT deram as mãos…ecaaaaaaaaaaa
Adoraria o Gabeira, mas como disse o professor… “Não bsta ser uma pessoa capaz, com boas idéias e capacidade de aglutinar pessoas honestas e trabalhadoras! É preciso ver a capacidade e os quadros que esta pessoa tem para implementar sua visão adminstrativa/polÃtica! Neste aspecto, a candidatura Gabeira (não o Gabeira!) não se sustenta para viabilizar as mudanças necessárias! Faltar-lhe-ia quadros! Simples assim”
Uau
beijos, geek
Comentário do Pô, meu!
Oi Sandra, eu tinha quase certeza que essa foto era do Evandro Teixeira, mas a achei no site da UNE e como não tinha crédito, não coloquei. Mas vou corrigir a injustiça e colocar o crédito da foto.
Quanto aos quadros, acho que isso é como uma buzzword, quem sabe uma “politicsword”. Gozado como são as ondas de palavras de ordem. Quando a direita estava no poder, a “falta de quadros” da esquerda era a lenga-lenga para a continuidade e perpetuação. Não precisa ir longe, volte em 2002 e veja o Lula e o PT buscando “quadros” no PSDB para a presidência do Banco Central, ou colocando polÃticos perdedores de eleição em determinadas funções do novo governo. Hoje, é só o Lula estalar os dedos que chovem quadros para atendê-lo.
Justifique a negativa de opção da candidatura Gabeira por estar contaminada pelo PSDB do Rio de Janeiro e vou respeitar a sua posição, pois isso é concreto. Mas falta de quadros? Não me façam rir.
A única coisa que falta hoje para o Rio de Janeiro mudar é de gente que ame a cidade e não queira fazer dela trampolim para outras posições no futuro. Isso até pode acontecer, mas não pode ser o objetivo.
Por último, o Sérgio sempre dá show.
Bjs,
Nelson
Olha ,so para acabar com toda essa seriedade do prof e sua sobre a candidatura do Gabeira:e ainda por cima ele é charmoso!rs.brincadeira Nelson ,se eu votasse no RIO votaria nele com certeza,virei “zelite”..bjs
PS. nada que ver com o texto ,mas um pouco “quand meme”!Vi esse finde aqui em sp o musical “Tom e vinicius” ,minha gente carioca e sangue bom ,eu chorei de saudade “daquele” Rio ,tb quero o RIo legal bacana ,daquela época! quero ficar dizendo :_o que estou fazendo em sampa meu!
Comentário do Pô, meu!

Oi Nine,
Todas as pessoas que amam o que o Rio de Janeiro sempre representou para o Brasil, que entendem a importância do “ser carioca”, pois não é necessário nascer no Rio para ser carioca, querem o Rio de novo com alto astral.
Aproveite que virou “zelite” e curta Sampa, pois a nova Sampa, é muito melhor que a antiga. Eu amo essa nova Sampa e sinto falta dela.
Bjs,
Nelson
Opa Nelson e todos!
Sobre os quadros eu diria que nenhum partido, sozinho os teria! Mas acho que se juntarmos os quadros do PT, alguns poucos do PSOL, o grupo do Gabeira e o grupo da Jandira e mais alguns qadros técnicos da máquina adminstrativa daria pra implementar as mudanças.
PolÃticas administrativas levam um tempinho para serem implementadas… é preciso competência técnica, mas é preciso competência polÃtica… administrar interesses, fazer concessãoes…
De fora, temos uma visão romântica, mas quem quer mudar e fazer, eventualmente, no jogo democrático, precisa percorrer caminhos tortuosos! Para o bem ou para o mal!
PS: Embora eu more na cidade do RIO, voto numa cidade da Baixada
NO Rio eu iria de Jandira no primeiro turno! Mas ainda desejaria que já no primeiro turno houvesse uma coalizão pelo Rio! As diferenças entre Gabeira, Jandira, Molon e Chico Alencar não justificam 4 candidaturas no meu modo de ver! Mas é a polÃtica
Comentário do Pô, meu!

Caro Sérgio,
Não tenho mais visão romântica da polÃtica. Você nem imagina o que já vi. Nem tenho coragem de contar aqui. Por isso hoje, minha visão é pragmática: quero resultados! Não importa que “quadros” estejam no comando. Hoje sou como o acionista de uma S/A. Se o novo CEO foi formado na UFRJ, USP ou PUC é o menos importante, quero saber se ele tem na bagagem, requisitos para me dar o melhor resultado para o meu investimento.
Politicamente isso quer dizer: educação, saúde, segurança, transporte e crescimento. E outras coisinhas mais.
Obrigado por ter vindo enriquecer o Pô, meu!
Abração,
Nelson