Colonialismo Cibernético


É o que acusa o site “Argentina etc” e que foi reverberado por outro site, o “Bluebus“, tudo porque o jornalista Daniel Oiticica, um carioca que morou e trabalhou alguns anos em Buenos Aires, publicou na sua página do Facebook a seguinte frase: “Devuelvan a las Islas Malvinas! Son ARGENTINAS!”. O problema foi que um dos seus seguidores resolveu traduzir a frase usando o tradutor do Bing, ferramenta da Microsoft, e lá eles traduziram “Islas Malvinas” como “Ilhas Falkland”.

Imagem: Colonialismo cibernético?

Colonialismo cibernético? (Clique para ampliar)

A história do arquipélago de ilhas conhecido como Falklands ou Malvinas remonta ao Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre Espanha e Portugal, grandes colonialistas daquela época, sob as “bençãos” da Santa Sé (a igreja católica). Neste tratado, Espanha e Portugal dividiam o mundo, já descoberto e por descobrir entre os dois países. Santa esperteza! Quando assinaram o tratado, espanhóis, pelas mãos do italiano Cristóvão Colombo, já haviam chegado formalmente ao Novo Mundo, em 1492, a América já havia sido descoberta (parte dela).

Quanto às ilhas em questão, nunca haviam sido avistadas. Pelo menos não existem vestígios disso, até que o primeiro registro de um possível avistamento delas foi feito por um navegador francês em 1504. Bem, a partir daí, espanhóis viveram às turras com ingleses por conta das ilhas, que, mesmo fora (os ingleses) do Tratado de Tordesilhas, queriam, e conseguiram, seu quinhão nesse Novo Mundo.

No início do século XIX, por conta das lutas por independência dos países hispânicos na América do Sul, os espanhóis se mandaram das ilhas, deixaram-nas para as ovelhas e mais ninguém. Depois de muitos anos após proclamar sua independência, os argentinos levaram colonos para as ilhas. Mas logo em seguida, dois anos era quase que imediatamente naquela época, os ingleses foram lá, e reclamaram que as ilhas eram Falklands e não Malvinas. Ficaram com elas e as ovelhas. Isso foi em 1833. É claro que os argentinos choram reclamam disso até hoje.

Imagem: Aproximadamente 650 jovens argentinos morreram em combate. Outros 1.100 ficaram feridos. Estima-se que os suicídios de ex-combatentes argentinos passe de 300 mortes.

Aproximadamente 650 jovens argentinos morreram em combate. Outros 1.100 ficaram feridos. Estima-se que os suicídios de ex-combatentes argentinos passe de 300 mortes.

Em 1982, mantendo a tradição dos caudilhos latinoamericanos, a ditadura argentina, que ia bem mal em tudo, inventou um inimigo externo para unir o povo sob seu comando, e resolveu mandar uma força militar para reconquistar as ilhas Malvinas. Foi fácil, as ovelhas nem reclamaram. Mas os ingleses acharam que aquilo era uma declaração de guerra e vieram bem armados com uma equipe reserva (eles sobravam) para o Atlântico Sul com o claro objetivo de mostrar quem era o dono do quintal.

A guerra foi brutalmente desproporcional, principalmente com relação à experiência bélica. Morreram muitos jovens argentinos que nunca haviam sido preparados para uma guerra. Foi triste e patético, pois por trás, no comando de tudo, estava a ditadura argentina. As ilhas, que passaram algumas semanas como Malvinas, voltaram a ser Falklands.

Em 2013, os ingleses resolveram fazer um plebiscito com os moradores da ilha, já que Cristina Kirchner, também precisando de um inimigo externo (lembra? caudilhos…) reivindicava por todo lado que as Falklands deveriam ser Malvinas. E foi feito o plebiscito. E ele revelou que 98,8% dos moradores-eleitores (com 92% de presença) preferiam continuar sendo britânicos e continuar louvando “God save the Queen“.

Essa história toda me lembrou que a “nossa” antiga Província Cisplatina hoje é conhecida pura e simplesmente por Uruguai. Mudou o dono, pode-se mudar o nome. ;-)





Você gostaria de receber as atualizações do Pô, meu! por e-mail? Clique aqui.

Deixe uma resposta