Piloto de Montanha Russa

Pode ser que seja fixação minha essa história de pilotar. Mas isso faz parte até do meu dia-a-dia. Logo após meu primeiro infarto, troquei de médico porque ele queria usar um procedimento de recuperação padrão, sem ouvir minha opinião a respeito de como a máquina (?) estava respondendo ao tratamento. Eu pensei: ele é o engenheiro responsável, mas o piloto sou eu. Só eu sei como a máquina (?) responde às diversas situações impostas durante o tratamento.

Aliás, ter o infarto foi só uma conseqüência de como pilotei minha vida. E é assim com praticamente todo mundo. A gente colhe o que a gente planta. Nossa vida é só o resultado das decisões que tomamos. É isso que chamo de pilotar. São essas as emoções que vivemos. Todas em função do estilo de cada um em pilotar sua própria vida.

No entanto, nem tudo funciona dessa maneira. Já descobri que em determinadas situações, somos como pilotos de montanha russa. As emoções atropelam umas às outras, sem que nem um pedalzinho para acelerar ou frear nos seja oferecido. Sem direito de escolher, o jeito é viver todas elas. A gente até pensa que demarcou o cercadinho onde aqueles carrinhos dos antigos parques de diversões são batidos uns nos outros. Mas na verdade, somos apenas o passageiro no banco de trás.

Tal qual na montanha russa, a gente só tem que acreditar que vai chegar bem no final. Tenho pilotado essa montanha russa porque sou pai. Daniel está no comando do carro dele, e eu sentadinho no banco de trás. Curtindo a paisagem, o conforto, o som e ar condicionado. Às vezes assustado com uma fechada aqui, uma freada brusca ali, ou a leve derrapada naquela curva mais fechada. Talvez até ele não perceba todas as minhas emoções, ele está concentrado na condução. E mesmo nas olhadelas furtivas pelo retrovisor, é só um pedaço de imagem refletida e invertida que ele vê.

Me orgulho desse piloto. Sei que as minhas emoções, por ele proporcionadas, são menos importantes que a certeza de que a condução é dele, que o desafio vencido nos últimos anos faz dele, muito mais que um Bacharel em Ciências da Informação (Computação/Informática): e sim um homem que está construindo o seu futuro.

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10 Comentários

  • Marcelo disse:

    E não são justamente esses “desvios” de percurso o que fazem a vida valer à pena? Se a vida fosse uma estrada reta, que graça teria pilotá-la?

    Ótima reflexão, grande abraço!

    Comentário do Pô, meu!
    Marcelo,
    Concordo completamente. Quando a velocidade me dá prazer, ela quase nunca acontece nas retas, acontece sempre nas curvas. Aliás, prazer e curvas têm tudo a ver. Mas vai sair do tema. ;-)
    Abração,
    Nelson

  • Sandra Leite disse:

    Pois é, geekman!
    Deve ser muito prazeroso ser pai de dois filhos tão especiais.
    Você e sua esposa estão de parabéns!!!
    Ao Daniel só posso desejar o melhor dessa vida. E ele já está colhendo os frutos. Outros maiores virão!
    Lindo texto, geekman. Odeio ter que admirtir isso, mas você escreve bem demais. Acho que é a influência do Isso é Bossa Nova :P
    Montanha russa , um pouco de adrenalina sempre faz bem né? :) Desde que o risco seja calculado………
    Mas hoje é dia de Daniel!
    Parabéns!

    Té +!

    Comentário do Pô, meu!
    Sandra,
    Dá prazer sim. Mas dá estresse também. :-)
    O Isso é Bossa Nova, como algumas outras leituras são sempre fonte de influência.
    Você sabe quando você sabe que o risco da Montanha Russa é calculado e fica sob controle? Quando você constrói ela dentro dos padrões. ;-)
    Té…
    Nelson

  • Gostei da analogia. Até porque, como na montanha russa, muitas vezes o controle que temos da máquina é uma ilusão que só vai durar até a próxima curva ou descida. Mas no final, sempre tem como tudo acabar bem, de uma forma ou de outra.

    Comentário do Pô, meu!
    Enio,
    Falei ali em cima para a Sandra, que a certeza que temos, é a que construímos a Montanha dentro dos padrões. Mas só teremos realmente alguma certeza depois das primeiras voltas de emoção. E nesse momento meu amigo, pouco ou nada pode ser feito para consertar erros. ;-)
    Abração,
    Nelson

  • Dayse Corrêa disse:

    Brother, lembra daquela confusão no dia da prova de vestibular lá no CAP da Lagoa? Vc em Terê, eu aqui levando o primeiro vestibulando da família para fazer o tal do vestibular. A irmã tentando passar notícias ao irmão do sobrinho dela e filho dele. A madrinha na porta do CAP, trancado, com alguns cartões de respostas rasgados na rua, população de pais se amontoando, gritando, reclamando, homens armados, político tentando fazer do momento um palanque. De um lado o CAP, de outro a Igreja de São José, comemorando o dia de seu santo, em frente a Lagoa, serena e, lá dentro o afilhado. Finalmente liberaram para sair e, lá na calçada da Igreja de São José me aliviei vendo o seu piloto saindo são e salvo do CAP. Enfim, chegou o momento que isso ficou mais no passado, mas na lembrança. Agora, é encarar uma outra guerrinha (diferente daquela do vestiba). Parabéns para vocês (e um pouco para mim, afinal, eu o levei às provas do vestibular! ;-)

  • Paulo Corrêa disse:

    Essa sensação de carona é complexa, mas não necessariamente passiva. Não podemos nos esquecer que quem conduz o carrinho reflete o que somos e o que fizemos para que o piloto chegasse até ali. É bem verdade que muitas vezes os pupilos degeneram ou nós mesmos erramos nos ensinamentos, porém a marca fica registrada. O Daniel é um vitorioso, com toda certeza, entretanto a vitória dele é uma vitória sua e da Cristina, que souberam imprimir a marca. Os louros devem ser partilhados, ainda que a maior parcela caiba a ele e não a vocês ou a quaisquer outros. De parabéns estamos todos e a mim, o verdadeiro carona da história, só resta o regozijo da vitória alheia, que também é minha, e o pesar de ter sido obrigado a dirigir em uma outra montanha russa no dia da colação de grau. Parabéns a família Corrêa.

  • Thiane disse:

    Adorei a montanha russa. Vamos todos continuar na fé de que chegaremos ao final. Sim, chegaremos sim. Ainda mais revigorados e realizados do que pensávamos ser possível quando decidimos subir nesse trilho. Um super Natal pra você e a sua família. E que 2008 seja maravilhoso! Beijos

  • Marcos Semola disse:

    Que beleza de reflexao, amigo Nelson!
    Feliz Natal e um 2008 repleto de coisas boas para tornar o voo ainda mais prazeiroso!

    Semola

  • Sandra Leite disse:

    Feliz 2008, geekman!!!!!!!!!

    Desejo antigo, mas sempre renovado!

    “Para você ganhar belíssimo Ano Novo
    cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
    Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
    (mal vivido talvez ou sem sentido)
    para você ganhar um ano
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
    novo até no coração das coisas menos percebidas
    (a começar pelo seu interior)
    novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
    mas com ele se come, se passeia,
    se ama, se compreende, se trabalha,
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
    não precisa expedir nem receber mensagens
    (planta recebe mensagens?
    passa telegramas?)

    Não precisa
    fazer lista de boas intenções
    para arquivá-las na gaveta.
    Não precisa chorar arrependido
    pelas besteiras consumadas
    nem parvamente acreditar
    que por decreto de esperança
    a partir de janeiro as coisas mudem
    e seja tudo claridade, recompensa,
    justiça entre os homens e as nações,
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
    direitos respeitados, começando
    pelo direito augusto de viver.

    Para ganhar um Ano Novo
    que mereça este nome,
    você, meu caro, tem de merecê-lo,
    tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
    mas tente, experimente, consciente.
    É dentro de você que o Ano Novo
    cochila e espera desde sempre”

    – Carlos Drummond de Andrade

  • Diego Gatto disse:

    Olá,
    Se você está recebendo este e-mail é porque eu localizei você, seu blog, ou site e identifiquei você com o meu novo projeto. Deixo aqui meu convite a conhecer um jornaleco (zine) que briga pelo social. Você escreve? Quer colaborar com teus artigos? Apreciariamos muito!

    bom…

    Até mais!
    Espero respostas!

    Diego Gatto

    Comentário do Pô, meu!
    Olá Diego,
    Obrigado pelo convite, mas meus rabiscos são somente um grande hobby. Ainda preciso dedicar tempo e esforço para outra profissão, e não quero deixar de cumprir compromissos que venha a assumir com a sua publicação. Valeu!
    Grande abraço,
    Nelson

  • Tomei a liberdade de copiar o parágrafo abaixo do blog Caos Urbanus do Chantinon:

    “Um outro blog que fui poucas vezes por não ter deixado pregado na minha lista é o “Pô, meu!”. Seu proprietário, Nelson Corrêa nasceu para escrever. Ele fala das coisas sérias do mundo, e sobra um tempo para texto curtinhos que merecem grande destaque, como “Piloto de Montanha Russa”. O Nelson ganhou mais um leitor!”

    Chantinon, valeu cara! Se os meus netos vão ter mais coisas para ler e me conhecer, terão que agradecer aos leitores como você, que me estimulam a manter o Pô, meu! rodando.

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